Meus programas de radio…continuação

28/09/2012 at 16:42 Deixe um comentário

Espiões!!!!!

Sejam bem-vindos à nossa habitual rubrica de livros e leitura.

Hoje vamos falar de um livro recém publicado, que se intitula

“Lisboa 1939-1945”

A Guerra nas Sombras da Cidade da Luz, de Neill Lochery

Lisboa foi, durante a Segunda Guerra Mundial, um dos principais, senão o principal centro da espionagem e da intriga internacional. Foi a única cidade europeia onde Aliados e potências do Eixo operavam à luz do dia e se vigiavam uns aos outros, sem qualquer pudor.

Local de destino idílico, onde se cruzaram fugas, desejos, paixões e segredos, Lisboa teve todos os ingredientes necessários para ser o centro das atenções – manobras de bastidores, traições, mercado negro, espiões de ambos os lados da guerra, refugiados, banqueiros, diplomatas, elementos da realeza europeia exilada e da alta sociedade, escritores e artistas, todos se cruzavam nos hotéis e cafés em pleno centro da cidade ou na luminosa costa do Estoril. E está, dessa forma, descrito o elenco que rodeou Salazar e a história da neutralidade e soberania portuguesas.

Nesta obra agora publicada, Neill Lochery oferece-nos a oportunidade única de visitar Lisboa na época em que foi chamada de “Cidade da Luz.”

Este investigador, de nacionalidade escocesa, é doutorado em Ciências Políticas pela Universidade de Durham. É especialista em história política de Israel, do Médio Oriente e do Mediterrâneo, colaborando regularmente como comentador na imprensa televisiva internacional. É autor de cinco livros e de inúmeros artigos para jornais e revistas. Actualmente é responsável pela cadeira de Política Israelita na UCL (University College London) e divide o seu tempo entre essa cidade, Lisboa e o Médio Oriente. Durante o tempo em que escreveu este “Lisboa 1939-1945”, fixou a sua residência na zona do Estoril. Fala fluentemente em português, já que o seu primeiro emprego foi no British Council, em Coimbra.

Embora seja uma crónica bem documentada, este livro quase parece e lê-se como um romance e traça um rigosorso cenário dos bastidores da guerra, com Lisboa a elevar-se a uma importância impensável para a capital de um pequeno país periférico, liderado por um ditador avesso ao protagonismo. Uma cidade que para milhares de judeus era a porta aberta para a fuga do enorme campo de concentração em que Hitler convertera a Europa. Muitos anónimos, outros famosos, instalaram-se por cá durante uns tempos. Marc Chagall, de origem judaica, célebre pintor russo-francês, Max Ernst, pintor surrealista alemão, a coleccionadora de arte Peggy Guggenheim, fundadora do museu com o mesmo nome, entre outros. Também foi aqui, mais precisamente no Estoril, que Ian Fleming ensaiou a sua operação “Golden Eye” e se inspirou para algumas sagas do mais famoso espião do mundo, James Bond. Há quem fale de um falhado atentado para assassinar os duques de Windsor, a americana Wallis Simpson e o seu marido Eduardo VIII, que por amor dela abdicou do trono de Inglaterra. Também residente no Estoril, outro grande escritor de quem falaremos um dia destes, Graham Green, escreveu algumas das suas obras.

Tudo debaixo do olhar mais ou menos distraído, mais ou menos cúmplice, nem contra nem a favor dos judeus, sem ser hostil, mas sem se aliar a atitudes solidárias de António de Oliveira Salazar, à data considerado – e a classificação é de um oficial britânico – “o mais atraente dos ditadores europeus”.

Vale a pena ler este “Lisboa”, cidade das luzes, capital de Portugal, esse pequeno país com um papel relevante e influente no conflito, que veio a ser o principal ponto de chegada e de partida de refugiados para atravessar o Atlântico, uma nação fornecedora de tunguesténio usado para fabrico de armamento alemão, o que num estranho equilíbrio político lhe valeu a independência e a neutralidade.

Disponível na colecção “Biblioteca do Século”, este livro pode ser adquirido em qualquer livraria, e também online, através do site de Editorial Presença, onde tem um preço promocional de 16,11€.

Se ficou interessado nesta temática, outros livros estão disponíveis nas nossas livrarias, e aqui deixo a sua menção:

“O Último Acto em Lisboa” e “A Companhia de Estranhos”, ambos de Robert Wilson, publicados pela Dom Quixote,

“Enquanto Salazar Dormia…”, de Domingos Amaral, editado pela Casa das Letras,

“Comboio nocturno para Lisboa”, Pascal Mercier, editado pela Dom Quixote

“Encontro em Lisboa” de Tom Gabbay, editado pela Casa das Letras.

Todos passíveis de serem adquiridos na Wook online, com um preço bastante razoável ou disponíveis em qualquer livraria.

Boas leituras, com espiões ou sem eles, boa semana, até ao próximo encontro.

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Gore Vidal

Boa tarde para si, que é companheiro dos nossos livros e das nossas leituras.

Recentemente falecido em 31 de Julho último aos 87 anos de idade, Gore Vidal foi um autor, dramaturgo, ensaísta, guionista e activista político dos Estados Unidos.

Nascido na base militar de West Point, Eugene Louis Vidal era filho de uma socialite e actriz da Broadway e de um jogador de basquetebol e capitão de aeronáutica (um dos primeiros pilotos da Army Air Corps e fundadores da TWA, e, segundo consta, o grande amor da aviadora Amelia Earhart), era neto de Thomas Gore, famoso (e cego) senador democrata pelo Oklahoma, de quem adoptou o apelido literário e na companhia de quem cresceu em Washington D.C., após o divórcio dos pais.

Ingressou na literatura ainda adolescente, escrevendo contos e poemas, tendo publicado o seu primeiro romance, “Williwaw”, aos 21 anos quando servia nas Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial e que foi o primeiro romance a ser escrito sobre esse tema e, também um grande sucesso para Vidal.

Alguns anos mais tarde, em 1948, publica “A Cidade e o Pilar” que causou enorme escândalo na época, pela sua representação desapaixonada da homossexualidade. O romance foi dedicado a “J. T.”, e apenas décadas mais tarde, depois de algumas revistas terem publicado rumores acerca dessa identidade é que Vidal confirmou que eram as iniciais do seu apaixonado James “Jimmy” Trimble III, morto em combate na batalha de Iwo Jima no dia 1 de março de 1945, acrescentando que Trimble foi a única pessoa a quem verdadeiramente amou. Toda esta controvérsia transformou-o, nos anos 50, num alvo das perseguições levadas a cabo pelos adeptos do senador McCarthy. Tudo isto lhe complicou a vida literárias e , por razões múltiplas, Gore Vidal viu-se impelido a escrever sob pseudónimo. Assim, nos anos 50 do passado século, vários romances de mistério vêm a lume, sob o pseudónimo de Edgar Box de novo com um sucesso que financiou Vidal por mais de uma década.

Depois disso Gore Vidal escreveu peças de teatro, filmes e séries de televisão que rapidamente se tornaram sucessos da Broadway e do cinema, possibilitando assim que viesse a ser contratado como guionista pela Metro Goldwyn Mayer em 1956.

Na década de 1960, Vidal escreveu três romances. O primeiro, “Julian”, sobre o imperador romano apóstata, o segundo, “Washington, DC” publicado em 1967, centrado numa família política da era do Presidente Roosevelt e o último, uma comédia satírica transexual “Myra Breckinridge” datada de 1968 que versa sobre uma variação sobre os temas que são familiares ao escritor: sexo, género e cultura popular. Trata-se do diário satírico de um transexual que, após uma cirurgia de mudança de sexo, dá aulas numa academia de cinema em Los Angeles.

Talvez influenciado pelo isolacionismo do avô Thomas, sempre lutou radicalmente contra todas as formas de segregação social e sexual, tendo sido também um crítico cáustico das posturas belicistas e expansionistas adoptadas pelos dirigentes norte-americanos. Era um apaixonado «pela antiga convicção americana de que o que está mal na sociedade humana pode ser consertado pela acção humana», mas não hesitava em dizer que «os EUA foram fundados pelas pessoas mais brilhantes do país — e não as vemos desde então».

Residiu, numa espécie de auto-exílio, muitos anos em Ravello, Itália, tendo retornado para Los Angeles, quando da enfermidade e posterior morte de seu companheiro Howard Austen, em 2003. Continuou a escrever livros e artigos para periódicos do mundo inteiro, tendo vindo a falecer de pneumonia no passado mês de Julho.

Na ficção ou no ensaio, Vidal tratou grande parte da história e da cultura americanas. A crítica reconheceu-lhe a inteligência, a capacidade de análise radical e fulgurante, mas nunca deixou de acentuar a sua ausência de genialidade na ficção, o que talvez justifique a não atribuição de prémios à sua obra, já que, apenas em 2009, recebeu um National Book Award honorário.

Nenhum escritor americano do século XX teve uma vida tão agitada e brilhante como Gore Vidal. Em “Navegação Ponto por Ponto” Memórias 1964-2006, este polémico escritor e ensaísta fala sem pudor, mas com a inteligência e vivacidade que o caracterizam das suas vivências mais extraordinárias. Como se pode ler na sinopse desta obra, a escolha do seu título “refere-se ao feito algo perigoso de comandar um navio sem bússola, espelhando, metaforicamente, o percurso em ziguezague da vida de Vidal”.

Despedimo-nos até para a semana com votos de boas leituras.

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Uma das minhas autoras de eleição! – Isabel Allende

Bem vindos, mais uma vez.

“Sou Maya Vidal, dezanove anos, sexo feminino, solteira, sem namorado por falta de oportunidade e não por esquisitice, nascida em Berkeley, Califórnia, com passaporte americano, temporariamente refugiada numa ilha no sul do mundo. Chamaram-me Maya porque a minha Nini adora a Índia e não ocorreu outro nome aos meus pais, embora tenham tido nove meses para pensar no assunto. Em hindi, Maya significa feitiço, ilusão, sonho, o que não tem nada a ver com o meu carácter. Átila teria sido mais apropriado, pois onde ponho o pé a erva não volta a crescer.”

Assim, deste modo frontal, começa a narrativa de Maya, a mais recente mulher de uma colecção fantástica de personagens femininas de uma das maiores referências da literatura sul americana da actualidade – Isabel Allende.

Falo-vos de “O caderno de Maya”, editado recentemente em Portugal. O livro é narrado na primeira pessoa e conhecemos a história através do diário de Maya, uma jovem de dezanove anos com um percurso mais do que doloroso na sua adolescência. Maya tem um passado que a persegue, um futuro ainda por construir e um caderno para escrever toda uma vida.

A acção do livro decorre em Chiloé, uma ilhota chilena onde a rapariga se refugia e é aí que somos apresentados gradual e intercaladamente ao seu dia-a-dia na ilha e ao seu percurso errante na adolescência passado no submundo de Las Vegas.

Criada pelos avós, mimada e adorada e com uma vida estável, Maya sente, ao entrar na adolescência e no liceu, a necessidade de se afirmar junto do seu grupo social, o que a leva a mergulhar no mundo da droga e dos pequenos delitos. Entre a sua atrapalhada vida na América e o seu aparente marasmo no quotidiano da ilha, a escrita de Allende, ou seja, a de Maya, oscila ao longo de todo o livro, dado que ambas as realidades têm registos diferentes que alternam abruptamente à medida que Maya muda de assunto no seu diário.

Li todos os livros de Isabel Allende e conheço intimamente, posso dizê-lo, todas as suas personagens femininas. Mulheres fortes e determinadas, apaixonadas e apaixonantes. A galeria continua a completar-se com Maya, que, embora adolescente, já tem em si a mulher que vai ser.

Este “Caderno de Maya”, se por um lado espelha as dificuldades da adolescência no mundo actual e o abrangente conhecimento que os jovens parecem dele ter, mas que os conduz, paradoxalmente a erradas escolhas, reflecte ainda sobre a importância da infância e da vida familiar na adolescência.

É à sua família que Isabel Allende, filha de um primo/irmão de Salvador Allende, dirigente chileno morto aquando do golpe de estado de 1972, vai buscar inspiração para muitas das suas personagens, desde os seus avós, que inspiraram grande parte do elenco do seu primeiro livro “A casa dos Espíritos”, até à sua filha Paula, protagonista do romance com o mesmo nome e em que a autora conta não só a sua vida como também o período doloroso que antecedeu a sua morte. Embora nascesse em Lima, Isabel era filha de pai chileno e mãe cujos antepassados se contam entre bascos e portugueses, da família dos Barros Moreira. Isabel preza muito a sua grande comunidade familiar, com particular destaque para a sua mãe, primeira leitora e crítica de todas as suas obras, ainda sob a forma de manuscrito, e que tem sido de um grande incentivo para Isabel, que sempre começa a escrever os seus livros no dia 8 de Janeiro.

Concordo com as palavras de Joana Emídio Marques, escritas no Diário de Notícias: “ Se Salvador Allende defendeu o Chile com a vida, Isabel Allende, sua sobrinha, defende-o até hoje com as suas palavras.”

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Concurso Novos Talentos!”

Dou-vos as boas vindas a mais um espaço em que os livros e as leituras são os protagonistas.

A literatura é um processo de permanente evolução, não se pára nem se estanca. Para isso, e para que se renove constantemente, há que dar espaço a novos escritores, havendo que ajudá-los a raiar o horizonte da divulgação. Existem algumas editoras especializadas neste tema, mas uma forma de instigar e também de permitir o lançamento e a consequente descoberta de novos talentos, são os concursos que algumas entidades promovem precisamente com esse fito. Entre eles destacamos o promovido anualmente pela FNAC.

A FNAC – Federação Nacional dos gerentes de compras, tradução do nome original francês “Fédèration National des Achats”, fundada em 1954, é uma rede francesa de lojas especializadas na distribuição de produtos culturais que vão desde a músicaliteraturacinemajogos de vídeo e eletrónica, para o público em geral. A política de expansão da FNAC levou a que se abrissem lojas noutros países, incluindo em Portugal, onde rapidamente conquistou o mercado.

“Quer ver o seu conto publicado?” é o nome do concurso que permite dar a conhecer talentos desconhecidos.

“5 contos inéditos de 5 autores por descobrir”, é o título do livro que compila as obras vencedoras desse concurso.

– Entrevistas de Emprego, de Regina Samagaio

– João, O Trovador, de Emílio Gouveia Miranda

– Sine Die, de André Domingues

– Bus, de Luiz Milhafre e

– Maria, uma Breve História, de Maria João Lourenço

são os contos vencedores do ano de 2011, sendo que em 30 de Abril deste ano se encerrou já uma nova candidatura a este prémio, cujo regulamento de acesso se encontra anualmente disponibilizado nas lojas e no site da FNAC.

As obras agora publicadas foram as escolhidas entre os 950 contos a concurso de entre as quais o júri, composto por Dóris Graça Dias, crítica literária, Carlos da Veiga Ferreira, editor e Valter Hugo Mãe, escritor, escolheu as 10 finalistas, que foram votadas pelo público através do site cultura.fnac.pt

E assim, os 5 contos mais votados podem agora ser lidos neste livro, cuja totalidade das vendas reverte a favor do projecto Infotecas FNAC/AMI Contra a InfoExclusão. O preço é muito acessível – 4€, o que torna quase irresistível a leitura deste livro.

De referir ainda que as edições Novos Talentos são o destaque que a FNAC dedica a artistas promissores também nas áreas da música, fotografia e cinema. Autores ainda desconhecidos que se distinguem pela qualidade e inovação do seu trabalho, à margem das correntes e desprendido de estilos e modas.

Mais uma boa razão para instigar à leitura e à descoberta dos novos livros que andam por aí a ser escritos. Boas pesquisas e óptimas leituras para esta semana é o que vos desejo, esperando encontrarmo-nos no próximo programa.

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Enid Blyton: a alegria da criançada!

Bem-vindos a mais esta edição de “Livros, leituras e companhia”. Falaremos hoje daquela que, durante gerações e até agora é uma referência dos livros infanto-juvenis: a autora dos Cinco e dos Sete, do Nodi e das Gémeas, entre outros muitos êxitos.

Vamos falar de Enid Blyton.

Enid Mary Blyton, nasceu a 11 de Agosto de 1897 em Londres. Com alguns meses de idade, a sua família mudou-se para Kent, localidade rural nos finais do século XIX onde Enid e os seus irmãos passaram a infância.

Enid gostava da natureza e de história, bem como gostava muito de ler e escrever. Lia tudo o que lhe caia nas mãos, até enciclopédias difíceis. Com o incentivo do pai começou a inventar a suas próprias histórias e a escrever poemas.

Em 1916, Enid decidiu que queria estudar para professora primária, estudos que inicia um ano depois.

Nas suas horas vagas começou a escrever mais regularmente, e durante dois anos procurou infrutiferamente um editor para os seus trabalhos. Finalmente conseguiu que dois pequenos poemas seus fossem publicados ainda que sem ostentar o nome da autora. Quando terminou os seus estudos e começou a trabalhar como professora, Enid continuou a escrever e no Verão desse mesmo ano publica o seu primeiro livro, contendo uma colecção de poemas e com uma capa de cartão desenhada por um amigo da escola. Dado o êxito obtido, o editor publicou outra colecção no ano seguinte, começando dessa forma a sua carreira como autora.

Em Fevereiro de 1922 inicia também uma colaboração com artigos para a revista “Teachers World”, colaboração que duraria até 1945, e onde, a partir de 1929, vai ter uma página semanal com o título “ A página das crianças de Enid Blyton” contendo uma carta, um poema e uma história.

Foi quando começou a escrever esta página semanal, que Enid teve a ideia de começar a publicar cartas como se estas fossem escritas pelo seu cão, onde relatava do ponto de vista de Bobs, o cão, tudo o que se passava na família durante essa semana. Estas cartas eram muito divertidas e Bobs quase foi tão popular entre os leitores, como a sua dona e veio a ser o primeiro animal que Blyton introduziu nas suas histórias.

A sua colaboração para esta revista é tão importante que a publicação passa a denominar-se “Enid Blyton’s Sunny Stories” e Enid decide escrever para a edição de 1937 uma história de aventuras que tenha continuação e cujo primeiro episódio vem a ser a “A Aventura na Ilha”. A ideia teve tal popularidade e a história tal sucesso, que pela primeira vez foi editada num livro completo, e logo os leitores reclamaram mais aventuras com o João, o Miguel, a Margarida e a Nora. Outros sete livros completam esta série. “A Aventura na Ilha” teve a primeira edição em Portugal em finais dos anos 60 pela Clássica Editora.

Embora Enid escrevesse histórias sobre outros temas, o seu êxito mais popular foi alcançado nas séries de aventura e mistério, nomeadamente na saga “Segredo” e “Os Cinco” que tão populares se tornaram também entre nós. Outro grande sucesso foi a colecção “Mistério” que contava com a intervenção de cinco descobridores e o seu cão, e que apareceram na sua primeira aventura em “O Mistério da Casa Queimada” em 1943. Em 1948, surge “O Clube dos Sete” na sua primeira aventura oficial. Em pouco tempo, grupos de crianças em toda a Inglaterra, imitavam “Os Sete”, organizando reuniões, criando símbolos para os seus grupos e utilizando linguagens secretas.

Mas o momento mais decisivo da popularidade de Enid foi ainda em 1949, quando publicou “Nodi no País dos Brinquedos”. Nodi foi a personagem mais triunfante para crianças muito pequenas e até hoje é tão popular como no início. As suas aventuras apareceram em livros, banda desenhada, televisão, filmes e jogos. Nodi tem mais visibilidade do que qualquer outra personagem inglesa. No início de 1950, Blyton deixou de escrever no Sunny Stories, para poder empenhar-se na sua nova revista, a “Enid Blyton’s Magazine”, revista que deu origem à criação de vários clubes que ajudavam a recolher fundos para organizações caritativas e sem fins lucrativos.

Enid morreu em 28 de Novembro de 1968, vitima do que é hoje conhecida por doença de Alzheimer, deixando mais de 700 livros escritos e perto de 5000 contos. Todos os anos lhe é prestado um tributo, o chamado “Enid Blyton Day”, organizado pela sociedade que tem o seu nome. Neste dia reúnem-se entusiastas que compram, trocam e vendem livros e outros colecionáveis e são realizadas palestras.

Passados 44 anos desde a sua morte, os livros de Enid continuam bem populares e a serem vendidos como as edições anteriores, tanto em Inglaterra como em todo o Mundo, incluindo Portugal. Quantos de vocês não conhecem, não leram ou não têm em casa um livro da Enid Blyton? Talvez “Os Cinco”, alguma “Aventura”, o “Clube dos Sete”, a  “Colecção Mistério”, “As Gémeas” ou “O Colégio das 4 Torres”…

Enid continua encantar-nos até hoje, com as suas histórias em que o Mundo é novo e verde, os dias, grandes e com sol, os adultos não têm uma intervenção relevante e as crianças podem fazer tudo o que desejam: explorar túneis secretos, acampar em ilhas com árvores e toda a natureza à volta, descobrir mistérios, procurar tesouros e até “vagabundear” no meio ambiente com carroças puxadas a cavalos. É um mundo mágico onde os bons ganham, a comida é em abundância e sempre há um final feliz. Pode haver melhor coisa que se queira ter?

Para ler e reler sempre! Até para a próxima semana.

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José Saramago: o nosso Nobel da literatura!

Bem vindos a esta rubrica semanal, em que vamos falar de um homem e escritor controverso, o prémio Nobel português da Literatura.

José de Sousa Saramago nasceu na Golegã em 16 de Novembro de 1922, tendo falecido em 18 de Junho de 2010 em Tías, Lanzarote. Foi um escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo.

A sua vida é passada em grande parte em Lisboa, para onde a família se muda em 1924, quando Saramago apenas tem apenas dois anos de idade. Dificuldades económicas impedem-no de entrar na universidade, tendo-se formado numa escola técnica. Contudo, ressalta da sua vida uma enorme curiosidade pelos estudos e pela cultura o que o leva, na juventude, fascinado pelos livros, a visitar à noite, com grande frequência, o Palácio Galveias, onde situava a Biblioteca Municipal Central.

Ao longo da sua vida, José Saramago vai desempenhar diversas profissões: começa por ser serralheiro mecânico, depois funcionário público, função a que acrescenta a de tradutor em 1955. Pouco depois troca de emprego, agora para trabalhar no Diário de Notícias e depois no Diário de Lisboa. Em 1975, retorna ao Diário de Notícias, como Director-Adjunto, onde permanece até ser demitido após uma dessas reviravoltas políticas em que o pós 25 de Abril foi pródigo. Saramago resolve então dedicar-se apenas à literatura, substituindo de vez o jornalista pelo ficcionista.

Aos 25 anos, publica o seu primeiro romance “Terra do Pecado” e depois deste, apresentou ao seu editor o livro “Clarabóia”. O original nunca lhe foi devolvido e também não recebeu resposta alguma. Na década de 1980, o já consagrado José Saramago foi contactado pela mesma editora para publicar aquela obra. A mágoa pela falta de resposta na juventude levou-o a declarar que não desejaria ver o romance editado em vida, deixando para seus herdeiros a decisão sobre o que fazer com o livro, os quais, após seu desaparecimento, decidem trazê-lo a público, vindo a ser publicado em 2011, pela Editorial Caminho.

Apesar da falta de resposta inicial acerca deste romance Saramago persiste no percurso literário e, dezanove anos depois, lança uma colectânea de poesia – “Os Poemas Possíveis” e, no espaço de cinco anos, publica mais dois livros de poesia: “Provavelmente Alegria” e “O Ano de 1993”.

Da sua passagem pelos jornais são de destacar quatro crónicas: Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL Teve, 1974 e Os Apontamentos, 1976.

Mas não são as crónicas, nem os contos, nem o teatro os responsáveis por fazer de Saramago um dos autores portugueses de maior destaque – esta missão está reservada aos seus romances, género a que retorna em 1977, três décadas depois de “Terra do Pecado”, com “Manual de Pintura e Caligrafia.”

Contudo, ainda não foi com essa obra que o autor definiu o seu estilo. As suas marcas características aparecerão com “Levantado do Chão”, livro de 1981 que é fruto, conforme o próprio autor declarou, de um sonho: falar sobre o Alentejo, sobre os alentejanos e a sua luta pela sobrevivência.

Cerca de dois anos depois surge o romance “Memorial do Convento”, livro que conquista definitivamente a atenção de leitores e críticos. Nele, Saramago misturou factos reais com personagens inventados: o rei D. João V e Bartolomeu de Gusmão, com a misteriosa Blimunda e o operário Baltazar, por exemplo. O contraste entre a opulenta aristocracia ociosa e o povo trabalhador e construtor da história – tornando este no seu personagem principal – servem perfeitamente a metáfora à medida da luta de classes marxista que Saramago professava.

De 1980 a 1991, o autor traz a lume mais quatro romances: “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, sobre as andanças do heterónimo de Fernando Pessoa por Lisboa; “A Jangada de Pedra” em que se questiona o papel Ibérico na então CEE através da metáfora da Península Ibérica que se solta da nova Europa e encontrando o seu lugar entre a velha Europa e a nova América; “História do Cerco de Lisboa”, onde um revisor é tentado a introduzir um “não” no texto histórico que corrige, mudando-lhe o sentido, e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, onde Saramago reescreve o livro sagrado sob a óptica de um Cristo que não é Deus e se revolta contra o seu destino, questionando o lugar de Deus, do cristianismo, do sofrimento e da morte.

Nos anos seguintes, Saramago publicou mais seis romances. Dá, assim, início a uma nova fase da sua escrita. Os enredos não se desenrolam em locais ou épocas determinados e os personagens dos anais da história desaparecem. “Ensaio Sobre a Cegueira”, “Todos os Nomes”, “A Caverna”, ”O Homem Duplicado”, “Ensaio sobre a Lucidez” e “As Intermitências da Morte” conduzem-nos de uma forma investigadora nos caminhos da sociedade contemporânea, questionando a sociedade capitalista e o papel da existência humana condenada à morte.

Em 1995, José Saramago recebe Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa, sendo considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa e em 1998, é galardoado com o Nobel de Literatura.

Saramago faleceu no dia 18 de Junho de 2010, aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote.

“Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(…)” dizia Saramago, que fica lembrado para sempre pelo seu estilo oral, típico dos contos de tradição popular em que a vivacidade da comunicação é mais importante do que a correcção ortográfica de uma linguagem escrita. Caracterizam-se pela utilização de frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. A inserção dos diálogos das personagens nos próprios parágrafos que os antecedem, leva a que, dessa forma não existam travessões nos seus livros. Este tipo de marcação das falas faz com que o leitor chegue a confundir-se sobre se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Estas características tornam o estilo de Saramago único na literatura contemporânea, sendo considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa. Em 2003, o crítico norte-americano Harold Bloom, no seu livro “Génio: Um Mosaico de Cem Exemplares Mentes Criativas”, considerou José Saramago “o mais talentoso romancista vivo nos dias de hoje”, referindo-se a ele como “o Mestre”. Declarou ainda Saramago como “um dos últimos titãs de um género literário que se está a desvanecer”. Recordando assim a memória deste que é o nosso prémio Nobel da Literatura, despeço-me até para a semana que vem.

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Júlio Dinis: o médico escritor

Olá de novo. Hoje, em “Livros, leituras e companhia”, falamos de mais um autor português, um homem de palavras simples, mas de espírito erudito.

Joaquim Guilherme Gomes Coelho, que no período mais brilhante da sua carreira literária usou o pseudónimo de Júlio Dinis, nasceu no Porto a 14 de Novembro de 1839 e faleceu, apenas com 32 anos, na mesma cidade 12 de Setembro de 1871.

Júlio Dinis frequentou a escola primária em Miragaia e aos catorze anos de idade concluiu o curso preparatório do liceu. Matriculou-se inicialmente na Escola Politécnica, tendo, em seguida, transitado para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, cujo curso completou com alta classificação.

Já então sofria de tuberculose pelo que, esperançado em encontrar cura no ambiente mais salutar da província, se transferiu temporariamente para Ovar, para casa de uma sua tia e, esperançado numa cura de ares, esteve por duas vezes na ilha da Madeira, além de outras peregrinações que terá feito através do país.

Apontado como o criador do romance campesino, Júlio Dinis foi um escritor de espaços, oferecendo-nos na sua prosa verdadeiros quadros, quer nas descrições das aldeias e dos ambientes, quer no desenvolvimento da intriga e ainda na definição dos caracteres das suas personagens, tiradas, na grande maioria, de pessoas com quem viveu ou contactou na vida real, e que estão imbuídas de tanta naturalidade que muitas delas nos são ainda hoje familiares. É o caso da tia Doroteia, de «A Morgadinha dos Canaviais», inspirada na tia em casa de quem viveu, quando se refugiou em Ovar, ou de Jenny, personagem de “Uma família Inglesa” para a qual recebeu inspiração da sua prima e madrinha.

Apesar da sua doença, causadora também da morte prematura da mãe e dos seus oito irmãos, Júlio Dinis viu sempre o mundo pelo prisma da fraternidade, do optimismo, dos sentimentos sadios do amor e da esperança.

A ascendência irlandesa de sua mãe permitiu-lhe o contacto e o conhecimento da língua e cultura inglesa, e Júlio Dinis foi leitor de Jane Austen, Thackery e Dickens, captando nesses autores o seu realismo psicológico, que, mesclado com o seu supra referido optimismo, coroou o desfecho as suas obras em finais de felicidade amorosa e harmonização social.

Quanto à forma, Júlio Dinis é considerado um escritor de transição entre o romantismo e o realismo, pois que se a sua escrita se encontra marcada pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo existência do indivíduo, características que apelam ao primeiro, o seu desejo de retratar o homem e a sociedade na sua totalidade, faz já prever as características que haveriam de pautar o segundo destes estilos.

Além do pseudónimo de Júlio Dinis, o escritor usou também o de Diana de Aveleda, com que assinou pequenas narrativas ingénuas como «Os Novelos da Tia Filomena» e o «Espólio do Senhor Cipriano», publicados em 1862 e 1863, respectivamente. Foi, aliás, com este pseudónimo que se iniciou nas andanças das letras, tendo, com ele, assinado também pequenas crónicas no Diário do Porto.

O romance «As Pupilas do Senhor Reitor» foi publicado em 1869, em folhetins do Jornal do Porto, tendo sido até hoje sido representado e adaptado ao cinema. Um ano antes, tinha sido dado a público «Uma Família Inglesa» e, em 1870, veio a público «Serões da Província».

No ano do seu falecimento, 1871, publicou-se o romance «Os Fidalgos da Casa Mourisca». Só depois da sua morte se publicaram «Inéditos» e «Esparsos», em dois volumes, assim como as suas «Poesias», estas entre 1873 e 1874.

No meu tempo de liceu, lia-se Júlio Dinis, nomeadamente “A Morgadinha dos Canaviais”, uma obra que ilustra uma das teses favoritas do autor: o efeito regenerador da vida rústica sobre um organismo moralmente deprimido pela vida urbana. Julgo que o autor e a obra ainda fazem parte do Plano Nacional de Leitura, mas, mesmo que essa não seja a razão, vale a pena ler Júlio Dinis.

Boa semana para todos!

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Kate Morton: a Austrália aqui tão perto…

De novo convosco nesta edição semanal de “Livros, leituras e companhia”.

Vamos visitar hoje um continente cuja literatura vai agora começando a estar divulgada entre nós. Refiro-me à Oceânia, falando neste programa mais especificadamente da literatura e de uma autora australiana. Mas fica a promessa de continuarmos a nossa viagem para a Nova Zelândia.

Embora procedam da tradição literária inglesa, de onde receberam influências de estilo e convenções, desde o princípio que as literaturas australiana e neozelandesa desenvolveram características e personalidades próprias.

Os primeiros colonos estabeleceram-se na Austrália em 1788. A maioria era constituída por delinquentes deportados e soldados, logo seguidos por colonos livres. O encontro com um novo mundo e as peculiaridades da sociedade que ali se desenvolveu foram factores determinantes para que os primeiros escritos surgidos fossem de natureza descritiva.

A literatura australiana do século XIX, marcada pela falta de estilo próprio e maturidade, evoluiu continuamente para os temas locais. Cronologicamente, a poesia precedeu o romance e este o teatro. Em 1819 surgiu em Sidney a primeira obra impressa na colônia, vindo o romance a surgir por volta de 1850. Os primeiros textos faziam descrições pitorescas das condições de vida na colônia, do banditismo à febre do ouro.

A partir do século XX o sucesso dos prosadores superou o dos poetas.

Os temas nacionalistas foram aos poucos perdendo força e a atenção voltou-se para a vida urbana, nomeadamente na descrição da relação dos aborígenes com os colonos.

A literatura dramática da Austrália, ainda que pouco numerosa, cresceu ao longo do século XX.

E é precisamente no século XX que nasce Kate Morton, em 1976 em Berri, Austrália do Sul. Kate licenciou-se inicialmente em Teatro e, mais recentemente, em Literatura Inglesa. Vive actualmente com o marido e os dois filhos em Brisbane, num palacete do século XIX repleto de mistérios.

Kate Morton é a mais velha de três irmãs. A sua família mudou-se várias vezes antes de se decidir pelas montanhas do Sudoeste de Queenland, onde Kate cresceu e frequentou a escola. Sempre gostou de ler, rodeando-se desde cedo dos livros de uma autora de que falaremos também aqui: Enid Blyton .

Enquanto jovem, Kate estudou Inglês e Literatura na Universidade de Queensland, depois de ter feito uma passagem por Londres, através de uma bolsa de estudos que obteve e onde concluiu um mestrado centrado no estudo da tragédia na literatura vitoriana. Está actualmente a pesquisar romances contemporâneos que unem elementos do gótico e ficção mistério para fazer o seu doutoramento.

Escreve, entretanto, dois manuscritos (que ainda permanecem inéditos) antes de escrever a história que se tornaria o seu primeiro romance em 2006  – The Fog Shifting  – The House at Riverton, traduzido em português como “O segredo da  Casa de Riverton” e editado pela Porto Editora em 2008. Num ambiente e numa escrita misteriosa, o livro conta a história do segredo guardado muito tempo por Grace Bradley, de avançada idade, que era uma empregada doméstica em Riverton Manor, durante os anos de 1920.

“O Jardim dos Segredos”, é o seu segundo romance, publicado em Portugal pela Porto Editora em 2009, e nele se revela o mistério à volta de uma criança que em 1913, é encontrada só, num barco que se dirige à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto… Retomando com grande mestria o tema do suspense e do mistério, Kate Morton leva-nos ao passado, pelo caminho imponderável das memórias.

O terceiro romance de Kate Morton, “As Horas distantes”, foi publicado, também pela Porto Editora em 2012. Num castelo em ruínas, duas gémeas aristocráticas e uma irmã perturbada e uma série de sombrios segredos lançam um sussurrante feitiço neste novo livro, em que tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino…

Com a atribuição de inúmeros galardões e críticas muito favoráveis, a obra de Kate Morton é um sucesso, quer nacional, quer internacional, encontrando-se traduzida em muitas línguas.

Sabendo que das paragens mais distantes nos chegam histórias fantásticas que abrem o apetite à leitura, deixo-vos com desejos de uma semana recheada de bons livros!

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx E a

E a Senhora de hoje: Laura Esquível. Para a semana voltaremos, se Deus quiser!

Olá, bem-vindos a este espaço repleto de livros e leituras que nos fazem proveitosa companhia.

Hoje vamos falar de uma escrita que irrompe nos nossos sentidos, que os cativa como pasto para histórias, ou melhor, como forma de contar histórias. Quero falar-vos de Laura Esquível, escritora mexicana que se distingue pela forma original que enquadram os seus escritos e as suas histórias. Laura nasceu a 30 de Setembro de 1950, na cidade do México e fê-lo no seio de uma família católica. Na sua juventude, e na ânsia de procurar novas experiências, estudou filosofias orientais, praticou meditação e seguiu uma dieta vegetariana. Não obstante, Laura foi grandemente influenciada pela sua avó, uma autêntica matriarca da família, que se costumava reunir com as mulheres na cozinha, lugar que Laura Esquível veio a considerar ideal para que o sexo feminino possa partilhar pensamentos íntimos. Ao longo da sua vida profissional como educadora de infância, Laura recorreu várias vezes ao seu espírito criador para escrever peças de teatro infantis e, dessa forma, suprir a falta de material didático, o que fez com que posteriormente viesse a trabalhar como dramaturga para um canal infantil de televisão. Esta situação veio a proporcionar-lhe estudar cinema e aí inicia uma carreira como argumentista com o filme “Guido Guán Y Los Tacos De Oro”, nomeado para o Prémio Ariel da Academia das Ciências e Artes Cinematográficas. Decidiu prosseguir com um novo argumento, mas devido à escassez de fundos necessários, não chegou a rodá-lo, preferindo converter o argumento no formato de romance. Surge assim, em 1989, “Como Agua Para Chocolate” romance que nos relata a história de Tita de La Garza, e cuja acção decorre no princípio do século XX, no Norte de um México à beira da Revolução. Como é tradicional nesse país, Tita, por ser a filha mais nova, não pode casar, para que fique a cuidar da sua mãe na velhice. Escrito por Tita na primeira pessoa, este romance introduz-nos através da cozinha da casa e decorre entre receitas de iguarias várias e suculentos pratos confeccionados ao sabor dos mais diversos sentimentos, sendo único na sua forma originalíssima de contar uma história. Foi um sucesso de vendas considerável e internacional, acabando o livro por ser adaptado para o cinema em 1993, onde arrebatou dezoito galardões internacionais.

Na obra que se segue a este “Como água para chocolate”, Laura Esquível não deixa de nos surpreender. Em “A Lei do Amor”, apresenta-nos o primeiro romance “multimedia” da história da literatura: uma fábula futurista, sensual e impertinente, onde ressoam Shakespeare e Almodóvar, que nos passeia pelo tempo e pelo espaço, no passado e no presente. Na sociedade do ano 2200, os CD estão submetidos a um rigoroso controlo, dado que os indivíduos podem revisitar as suas vidas anteriores escutando determinadas peças de música. Assim, o livro é acompanhado por um disco compacto que contém fragmentos de óperas de Puccini e canções de recorte popular, cuja audição deve ser feita em determinados momentos da leitura, especificamente indicados no livro. Há também as ilustrações de Miguelanxo Prado, que de tempos a tempos, transformam em imagens o desenrolar da própria história. Através destas técnicas simples, a escritora enriquece a sua obra, onde o ódio e o amor se confrontam à descoberta da mais secreta e da mais conhecida de todas as leis universais.

“A Pequena Estrela-do-mar”, “Tão Veloz Como o Desejo”, e uma recolha de contos com o título “Intimas Suculências, Tratado Filosófico de Cozinha”, são as obras que se seguem, sendo “ O Livro das Emoções” a sua mais recente obra.

Neste pequeno livro, há uma espécie de diálogo entre a emoção e o pensamento, numa dinâmica que nos leva a interrogarmo-nos sobre várias questões: será que a alegria nos cura? que a tristeza nos põe doentes? por que razão, reinam agora a depressão e o stress? A memória é um armazém pessoal de emoções e é por essa razão que há pessoas, livros, filmes que nos agarram o coração, e outros que nos provocam repulsa? Respondendo a estas e a muitas outras perguntas, Laura Esquivel consegue que este livro nos fale de uma nova forma de liberdade.

Editados pela Asa, os livros desta escritora encontram-se todos traduzidos em português e à espera de serem adquiridos em qualquer livraria e também através da internet a preços muito acessíveis.

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